Mordaça: o grito da liberdade

“Luta agora é para acabar com a censura”, diz jornalista que ficou quase 60 dias em “exílio forçado”

Por Mino Pedrosa

“Um exílio forçado composto de privações, sofrimento, mas de muito aprendizado. A justiça é célere com os poderosos e lenta para os que não têm poder. Mas, como não existem duas verdades, o bem sempre vai vencer a maldade humana”.

Foi dessa forma, sereno, mais enfático, que o jornalista pernambucano Ricardo Antunes recebeu a notícia da liberação do seu passaporte.

Antunes teve até mesmo sua prisão solicitada pela juíza Andrea Calado da Cruz. De tão intempestiva, decisão foi revogada por um juiz da segunda instância. As medidas sobre a apreensão do passaporte e da censura do site, no entanto, continuaram valendo e produziram um fato surreal: embora não pudesse ser preso, o jornalista Ricardo Antunes não poderia voltar ao Brasil, pois correria o risco de ter seu passaporte preso antes de embarcar.

“Não existe como calcular o prejuízo emocional e financeiro. Além de preso no exterior”, a situação produz “um sentimento de impotência e de absoluta depressão, mas também de muito aprendizado. A sorte dá mais valor aos que esperam”, disse Ricardo Antunes, visivelmente emocionado.

O jornalista é acusado de “injúria e difamação por parte do promotor Flávio Falcão, por ter feito uma série de matérias sobre eventuais irregularidades cometidas pelo mesmo quando atuava na comarca da Ilha de Fernando de Noronha.

“A reabertura da instrução, respeitando o contraditório e a ampla defesa, é um fato que mostra a injustiça de que o jornalista foi vítima. A juíza (substituta) anterior havia negado até isso”, lembra o advogado Fred Vilaça. A audiência para que Ricardo Antunes se defenda das acusações foi marcada pelo juiz titular, Paulo Victor, para o dia 28 de agosto.

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