Ministro das Comunicações é indiciado por desvio de verba

Uma das obras financiadas por emendas parlamentares beneficiou diretamente propriedades da família do ministro

A Polícia Federal indiciou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), por suposto desvio de emendas parlamentares destinadas à pavimentação das ruas de Vitorino Freire, um município no interior do Maranhão. Vale ressaltar que a cidade é governada pela irmã do ministro, Luanna Rezende. Segundo as investigações, Juscelino integra uma organização criminosa e cometeu o crime de corrupção passiva relacionado a desvios de recursos das obras de pavimentação custeadas com dinheiro público da Codevasf.

O ministro foi indiciado pela Polícia Federal por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. As investigações concentram-se em possíveis irregularidades em obras realizadas em Vitorino Freire (MA), financiadas por emendas parlamentares por ele indicadas durante o mandato como deputado federal.

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que uma das obras beneficiou diretamente propriedades da família do ministro, durante o período em que ele atuou no Congresso Nacional.

A investigação teve início com o intuito de apurar desvios em obras da Codevasf, estatal que se viu envolvida em escândalos de corrupção. A empresa Construservice, apontada como parte do esquema, tem como sócio oculto o empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP.

As mensagens trocadas entre Juscelino Filho e Eduardo DP, encontradas no celular do empresário durante a operação Odoacro, foram peças-chave na investigação. Segundo a Polícia Federal, o diálogo mantido entre os dois reforçam a participação do ministro na organização criminosa liderada por Eduardo DP.

A PF alega que o grupo liderado por Juscelino Filho desviou cerca de R$ 835,8 mil de contratos da Codevasf. Entre os métodos utilizados, destaca-se a pavimentação de estradas que beneficiavam propriedades do próprio ministro, além de pagamentos a terceiros e a contratação suspeita de empresas ligadas a ele.

A família do ministro também foi alvo das investigações. Luanna Rezende, irmã de Juscelino, foi submetida a busca e apreensão em setembro de 2023, enquanto os bens do ministro foram bloqueados.

O inquérito encontra-se sob a responsabilidade do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF), que herdou o caso de sua antecessora, a ministra Rosa Weber.

Eduardo DP, figura central no esquema, já foi preso e solto em decorrência da operação Odoacro, que desvendou parte do esquema de corrupção.

A segunda fase da operação mirou Julimar Alves da Silva Filho, fiscal da Codevasf suspeito de ter recebido propina da Construservice. Segundo a PF, Julimar era um dos “tentáculos” do ministro dentro da estatal para a realização dos desvios.

O caso continua sendo acompanhado de perto pela população, que aguarda por desdobramentos e medidas judiciais para combater a corrupção no país.

 

 

 

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