Lula questiona autonomia do Banco Central e se preocupa com alta do dólar

Lula criticou o fato de o presidente da República ser eleito e não poder indicar diretamente o presidente do Banco Central

Em uma entrevista concedida a uma rádio em Feira de Santana (BA) nesta segunda-feira (dia 1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu as críticas à autonomia do Banco Central (BC) e à política de taxas de juros elevadas, ao mesmo tempo em que defendeu uma agenda econômica mais expansionista. Lula argumentou que o presidente da República deveria ter o direito de indicar diretamente o presidente do BC e questionou a autonomia institucional aprovada em 2021.

Lula criticou o fato de o presidente da República ser eleito e não poder indicar diretamente o presidente do Banco Central. Ele elucidou que está há dois anos com o presidente do BC que foi indicado pelo ex-presidente Bolsonaro. Lula defendeu que o correto seria o presidente da República fazer a indicação do presidente do BC e, se necessário, removê-lo. O mandatário ainda citou como exemplo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que removeu três presidentes do BC durante o mandato.

As declarações de Lula coincidiram com um novo aumento do dólar, que atingiu R$ 5,65, refletindo também a valorização dos títulos americanos. Apesar disso, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou crescimento, impulsionado pelos bons resultados de empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), cujas ações apresentaram ganhos significativos.

Após o fechamento do mercado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumiu a responsabilidade pela valorização do câmbio, atribuindo-a a ruídos internos e destacando a necessidade de uma melhor comunicação sobre os resultados econômicos do país. Haddad mencionou o desempenho positivo da arrecadação de junho, que superou as expectativas da Receita Federal.

Enquanto isso, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendeu o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal e criticou as especulações negativas sobre a gestão econômica. “O governo restabeleceu o compromisso com a responsabilidade fiscal e continuará combatendo qualquer forma de fraude”, afirmou Padilha durante uma coletiva de imprensa em Brasília.

Especulação

Já nesta terça-feira (2), durante entrevista à Rádio Sociedade, em Salvador (BA), Lula reiterou a preocupação com a escalada do dólar, que fechou em R$ 5,65 na segunda-feira (dia 1º) a maior cotação desde janeiro de 2022. O presidente atribuiu a alta a uma “especulação contra o real”, destacando um jogo de interesses especulativos que, segundo ele, prejudicam a estabilidade da moeda nacional.

O presidente anunciou seu retorno a Brasília para uma reunião agendada para quarta-feira, 3, enfatizando a necessidade de ações do governo diante da situação. “É um absurdo. Há algo que precisamos fazer. Não posso detalhar as medidas aqui, para não alertar meus adversários”, declarou Lula durante a entrevista.

Enquanto isso, o real continua a apresentar o pior desempenho entre as moedas latino-americanas. Na mesma segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou otimismo de que o câmbio se estabilizaria e a situação do dólar seria revertida à medida que os processos de decisão sobre os gastos do governo fossem concluídos.

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