Inaugurada há menos de um ano, universidade distrital tem 50% de evasão de alunos

Renato Alves/ Agência Brasília

Professores estão com a remuneração defasada e sofrem com infraestrutura precária e falta de representação

Inaugurada em julho de 2023, a Universidade do Distrito Federal (UnDF) já enfrenta sérias dificuldades que comprometem seu funcionamento. A precariedade das condições para estudantes e professores é tida como uma das principais razões do aumento expressivo da evasão em alguns cursos noturnos. Segundo o Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF), a taxa de abandono dos cursos nesse turno chegou a 50%.

O sindicato destaca que os profissionais de educação que atuam na unidade estão com a remuneração defasada. Além disso, há ausência de corpo técnico-administrativo próprio, assim como de representantes do corpo docente e discente nas decisões. Por fim, o campus do Lago Norte ainda é apontado como um dos que possui mais problemas estruturais.

A remuneração dos docentes da UnDF é significativamente inferior a de outras universidades públicas. Atualmente, um professor com doutorado e carga horária de 40 horas recebe um salário médio de R$ 6 mil, enquanto na Universidade de Brasília (UnB) o salário inicial é cerca de R$ 11 mil. Com isso, a previsão é de que muitos professores se dediquem a outros concursos e deixem de lesionar na UnDF.

Além disso, a falta de um corpo técnico-administrativo próprio representa um entrave. Atualmente, servidores cedidos da Secretaria de Educação do DF realizam os serviços, mas podem ser remanejados para outras pastas do governo do Distrito Federal (GDF), uma vez que não há indicativo de concurso específico para os cargos.

Representantes

A UnDF chegou a publicar um edital para escolher os representantes da comunidade acadêmica para o Conselho Universitário (Consuni). No entanto, a reitoria não garantiu nem 20% de participação dos docentes no conselhos — realidade muito longe dos 70% reivindicados pela categoria e que estaria em concordância com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) . Devido a isso, os professores entraram na Justiça, obtendo uma vitória judicial com a suspensão do edital.

A infraestrutura do campus da UnDF no Lago Norte também é insuficiente. O bairro, de classe média alta, é distante de onde moram a maioria dos professores e alunos, muitos oriundos de regiões administrativas mais afastadas. Segundo o sindicato, o campus tem apenas uma linha de ônibus e não possui restaurante ou cantina, o que dificulta a permanência dos estudantes.

A precariedade da universidade é a principal dificuldade para os alunos, agravada com o início dos projetos de extensão. Muitos alunos não conseguem se manter na universidade devido à falta de opções de alimentação.

A Comissão de Educação, Saúde e Cultura (Cesc) da Câmara Legislativa do DF (CLDF) realizou duas reuniões em 2024 para discutir as questões da UnDF, ambas sem a presença da reitora Simone Benck, indicada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Gabriel Magno (PT), presidente da Cesc, ressaltou a localização desfavorável da universidade e sugeriu a utilização do Centro Administrativo (Centrad), em Taguatinga, como alternativa mais acessível para os alunos.

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