Após desgaste, governo Lula planeja novo leilão de arroz em dez dias

Anulação do leilão anterior ocorreu após a exoneração do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, por suspeita de fraude

O governo do presidente Lula (PT) pretende realizar um novo leilão de importação de arroz dentro de dez dias, segundo informações do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. A medida ocorre após o cancelamento do certame anterior na última terça-feira (11), devido a suspeitas de falta de capacidade técnica e irregularidades.

Para redesenhar a nova concorrência, um grupo de trabalho será formado na próxima semana, envolvendo a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). No entanto, integrantes do governo expressaram ceticismo em relação ao prazo estipulado pelo ministro, prevendo que o novo leilão pode ocorrer em até 60 dias.

Apesar da tradição da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em realizar leilões nacionais, esta será a primeira importação desde os anos 1980. Técnicos estão revisando normas e procedimentos para adaptar o processo, e uma das mudanças esperadas é a exigência do sistema Radar da Receita Federal, que autoriza empresas a operar no comércio exterior.

A anulação do leilão anterior foi acompanhada pela demissão do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, que enfrentava desgaste após a revelação de que um ex-assessor intermediou quase metade da venda do arroz importado.

Na quarta-feira (12), conforme publicado no Diário Oficial da União, Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, foi exonerado. A decisão já havia sido antecipadamente anunciada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, na terça-feira (11), em meio às investigações sobre possíveis irregularidades no leilão do arroz, que foi posteriormente cancelado pelo governo.

O leilão foi criticado por ter entre os vencedores uma loja de laticínios e um empresário que confessou propina, levantando suspeitas de favorecimento que atingiram Geller. Uma reportagem do The Agribiz revelou que a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos, criadas pelo ex-assessor de Geller, Robson Luiz de Almeida França, intermediaram a venda de quase metade do arroz importado no leilão.

Funcionários do governo envolvidos na elaboração do certame defenderam a legalidade da medida e afirmaram que o governo não chegou a pagar pelo arroz, já que o pagamento ocorre apenas quando o produto chega aos armazéns da Conab.

A oposição, especialmente ligada ao agronegócio no sul do país, criticou fortemente a compra de arroz estrangeiro, explorando o tema nas redes sociais e no Congresso. O deputado Coronel Zucco (PL-RS) está coletando assinaturas para abrir uma CPI sobre o assunto.

Diante do dano político, o governo decidiu cancelar o leilão e realizar outro. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto após uma reunião com a presença do presidente Lula.

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