Endividada, dona de restaurantes no DF usa estratégia para fugir das cobranças

Quando está prestes a ser notificada, empresária dribla os oficiais de justiça com a criação de novos CNPJs, além da repaginação dos negócios

Por Mateus Souza

A empresária Lídia Cambuy Perides, conhecida como Lídia Nasser e que também se intitula como consultora gastronômica, deixou um rastro de indignação, devido a dívidas não pagas. O último caso divulgado na imprensa detalha que a mulher adquiriu um piano por R$ 32.695 em 2021, divididos em dez parcelas, mas teria pago apenas a primeira. O caso não é isolado. A forma com que Lídia faz negócios segue um certo parâmetro. A equipe de reportagem do Fatos Online conversou com fontes envolvidas nos processos e traçou o modus operandi da empresária.

Lídia é dona do  Cinq Gastronomia – antigo Complexo Gastronômico –, em Águas Claras. No período da pandemia, 15 dias antes das medidas de isolamento, a empresária chegou a inaugurar os Complexos Gastronômicos do Sudoeste e do Park Shopping. Além disso, ela ampliou o MaYuu Sushi do complexo de Águas Claras e criou uma marca franqueável, intitulada de Empório Árabe Sheik-in. Nessa época, ela já era proprietária de, ao menos, 11 empreendimentos. Veja abaixo:

Complexo Gastronômico de Águas Claras

1- Empório Árabe

2- Dolce Far Niente

3- Dólar Furado Burger

4- MaYuu Sushi

5- Delicatus Confeitaria

Complexo Gastronômico do Sudoeste

6- Empório Árabe

7- MaYuu Sushi

8- Dolce Far Niente

Complexo Gastronômico do Park Shopping

9- Empório Árabe

10- MaYuu Sushi

11- Dolce Far Niente

Fecha negócio, abre CNPJ

Apesar do crescimento econômico – evidenciado pela expansão agressiva dos negócios durante a pandemia – Lídia não pagou os credores que forneceram serviços a ela, além disso, muitos ex-funcionários se queixam de não ter recebido os direitos trabalhistas após o término do contrato. Por outro lado, a empresária fechou uma parte dos estabelecimentos e, mesmo com as dívidas, abriu outros CNPJs, registrados no nome de “financiadores”. Adicionalmente, algumas pessoas jurídicas estão relacionadas a serviços alheios aos fornecidos pelos restaurantes da empresária.

O Complexo Gastronômico do Park Shopping foi fechado em 2022. Atualmente, o MaYuu Sushi de Águas Claras também está em processo de encerrar as atividades. O Fatos Online apurou que as pessoas jurídicas ligadas aos restaurantes endividados foram transferidas para terceiros.

Estão entre os prejudicados, construtoras, distribuidoras de alimentos, além de fornecedores de serviços variados. Quando está prestes a ser notificada, Lídia dribla os oficiais de justiça com a criação de novas pessoas jurídicas, além da repaginação dos negócios.

Laranjas

Em resumo, as empresas ligadas à empresária Lídia Cambuy Perides abrem novos CNPJs para evitar execuções fiscais. A estratégia supostamente utilizada consiste em abrir uma nova empresa com um CNPJ distinto sempre que um dos negócios se torna alvo de execução.

Quando os oficiais de justiça chegam ao estabelecimento para cumprir a notificação, são informados de que a empresa foi vendida e está sob nova administração. No entanto, as novas administrações são compostas por “laranjas” — indivíduos que assumem a fachada de novos proprietários, mas que na verdade continuam sob o controle de Lídia.

Os maiores lesados pela empresária são empreendedores de pequeno e médio porte. Isso porque empresas maiores costumam suspender os serviços com maior celeridade, por terem equipes mais robustas e mais experiência de mercado. Para conseguir reverter os prejuízos, parte dos credores recorrem a medidas judiciais e extrajudiciais e, nas melhores das circunstâncias, têm como resultado a penhora de bens para o pagamento das dívidas, como foi o caso do piano e também o caso da Brasal Refrigerantes, empresa com a qual Lídia acumulou uma dívida de cerca de R$ 60 mil.

Piano

A empresa Costa e Ramos cobrava a empresária desde 2021, após ela deixar de pagar as parcelas de um piano de cauda para o restaurante Dolce Far Niente, na unidade do Park Shopping. No entanto, como o restaurante foi fechado no ano seguinte, o piano foi supostamente transferido para o Dolce Far Niente de Águas Claras. O instrumento foi adquirido por R$ 32.695, mas a dívida atual totaliza R$ 59 mil, com a inclusão dos juros acumulados ao longo de três anos. Para pagar a dívida, o piano foi penhorado e retirado do estabelecimento na última quinta-feira (4). A Costa e Ramos conseguiu a ação após recorrer judicialmente. Até agora, Lídia está envolvida em, pelo menos, 14 processos judiciais de natureza financeira e possui diversos CNPJs.

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