Alagoas: ação entre amigos

O bater do martelo faz ecoar na barriga de quem tem fome e sobrevivência depende de cesta básica

Por Mino Pedrosa

O desembargador Alcides Gusmão atendeu ao pedido feito pelo senador Rodrigo Cunha e paralisou a entrega de cestas básicas do Pacto contra a Fome. Sem vinculação com a campanha, o programa de Estado atendia 109 mil famílias por mês em situação de insegurança alimentar em toda Alagoas. O magistrado foi provocado pelo candidato adversário de Paulo Dantas e entendeu que a distribuição estaria influindo no pleito, mesmo que a entrega estivesse sendo feita até mesmo por prefeitos que apoiam Rodrigo Cunha. Em outra ação, ele também pede a suspensão do pagamento dos benefícios do Escola 10, que contribui decisivamente na redução da evasão escolar em Alagoas.

Quanto ao Pacto Contra a Fome, o magistrado reconheceu que desde 2014 existe um programa continuado de ações públicas para afligir a fome dos mais pobres que são inscritos no CadÚnico. Mesmo com esse histórico legal, Rodrigo Cunha alegou no pedido que a iniciativa estava desequilibrando a eleição – sem apresentar nenhuma vinculação da entrega com a campanha de Paulo. “Assim sendo, no exercício do poder geral de cautela, determino aos investigados que se abstenham de promover a distribuição de cestas básicas depois do dia 21 de outubro de 2022”, determinou o desembargador Alcides Gusmão.

Paulo que já havia alertado do interesse do adversário em paralisar a entrega de cestas, criticou o pedido de suspensão feito por Rodrigo Cunha. “Infelizmente, a gente percebe que temos um político que faz qualquer coisa pelo poder. Rodrigo não gosta de pobre. Quando tantas pessoas passam fome, ele tira comida da mesa de quem não tem o que comer. Rodrigo é cruel e só pensa em poder”, declarou Paulo, lamentando que famílias vão ficam sem ter o que comer.

O presidente do MDB-AL, senador Renan Calheiros, lembrou que Rodrigo como senador jamais criticou as ações do presidente Jair Bolsonaro quando este “criou programas assistenciais de última hora para se beneficiar eleitoralmente, mas lutou para impedir que alagoanos tivessem acesso a alimentos”, criticou, observando que o candidato esteve ausente de Alagoas nos últimos 4 anos.

Já o ex-prefeito Rui Palmeira condenou o que chamou de “postura mesquinha” de Rodrigo Cunha. “Jamais pediria para interromper um pacto que luta contra a Fome sob alegação alguma. Rodrigo nunca colocou um caroço de feijão na mesa do alagoano e ainda atrapalha quem faz”, afirmou.

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